Embalagens que se tornam produtos

Existem embalagens que são tão fortes, marcantes, icônicas que sua influência se espalha por outros campos. Algumas, em vez de embalar produtos, acabam virando produtos. O exemplo mais clássico desse processo é a lata do sopa Campbell’s, famosa graças a Wandy Warhol.

Já citamos em outro post que a lata (aumentada de tamanho) virou um banco estofado com design Pop para sentar. Agora mostramos uma lata que virou rádio (ele pode ser comprado no site FindGreatStuff). O mais interessante é que a “lata” vem embalada numa caixa de papelão, que é uma versão quadrada da latinha. Chega a ser irônico, não?

Outro exemplo de embalagem que virou produto é a caixa de sucrilhos (na versão inglesa, Frosties). O cereal virou justamente, um pequeno rádio. Veja na imagem ao lado.

Fonte: BoxVox

Embalagem de cosméticos e frutas podres

Embalagens de cosméticos lidam diretamente com a idéia de beleza, juventude, saúde, limpeza, brilho, luz. Não é de se admirar que elas sejam na sua maioria banhadas de cores brancas e tons claros, com poucos elementos visuais – geralmente discretos – e com muita área de respiro. Seriam essencialmente aquilo que todos chamam de design “clean”.

É verdade, mas no universo das embalagens existe espaço para muita coisa diferente. É nesse espaço que se encontra a linha de produtos de beleza Unlovely, cujas embalagens foram criadas pelo estúdio inglês Fantasist.

Os produtos são cremes e loções para rosto e corpo, que vêm em frascos, potes e bisnagas totalmente pretos. Eles possuem como elemento principal imagens saturadas de frutas emboloradas e flores velhas (como pinturas de naturezas realmente mortas).

O motivo para tal design? Os produtos são feitos com substâncias obtidas na extração sofisticada de frutas e flores fermentadas. Será que essa informação deveria ser ressalta de forma tão evidente? A associação entre coisas velhas e apodrecendo e hidratantes para o rosto não parece uma boa idéia.

Fonte: Popsop

Embalagem e terceira idade

Aqui estão alguns molhos de tomate da linha de produtos Via Roma, produzido por The Great Atlantic & Pacific Tea Co. (A&P). O design da embalagem foi criado pelo estúdio United. A linha possui massas de diversos tipos, além de algumas bolachas e outros doces.

O interessante dessas embalagens é o uso de fotos preto e brancas de pessoas idosas “curtindo a vida” em diversas situações: rindo, cantando, beijando (a fotografia da senhora bebendo vinho diretamente na boca da garrafa é simplesmente ótima). Temos de admitir que o uso de modelos na terceira idade para peças comunicação que não se destinam a idosos (e embalagens também) não são muito comuns. Ver uma linha inteira de velhinhos na prateleira de macarrões é bem diferente.

O conceito da marca busca uma ligação com a Itália e suas antigas tradições e costumes. O design ressalta que o fabricante não tem medo de mostrar sua verdadeira personalidade, sua emoção, suas raízes. Essa é a razão do uso de tais imagens. Resta saber se o produto não será entendido como direcionado para terceira idade.

ps: faltou dizer que Via Roma é uma marca própria premium do supermercado norte-americano A&P.

Fonte: The Dieline

Embalagem de mortadela russa


Isso mesmo: essa embalagem acima – coloridíssima, contemporânea, cheia de estilo e tipografia – contém uma mortadela. O embutido em questão é russo, da empresa Dymov. O design da embalagem foi criada pelo estúdo Firma.

Essas embalagens se diferenciam claramente não só das embalagens de embutidos, mas das embalagens de alimentos em geral (com exceção de artigos especiais como bebidas). Elas são tão diferentes que estão sendo publicadas em um monte de sites e blogs. Não possuem nem o nome do produto, apenas a marca da empresa fabricante.

A questão que nos perguntamos é: essa embalagem vende?

A dona de casa que passa no ponto de venda e dá aquela olhada de 5 segundos procurando o produto, talvez nem perceba que tal embutido pertence a categoria. Mas se o objetivo for atingir o público jovem, revitalizar a marca, ou lançar uma opção “premium” no portfolio de produtos, talvez a embalagem tenha acertado em cheio.

Pode ser também que as embalagens de embutidos na Russia sejam todas assim… será?

Fonte: A publicitária

Caixinha para anel de diamante

Este é um bom exemplo de embalagem que conversa com seu conteúdo. A caixa acima, feita de folhas de papel cartão – ou algo semelhante – presas com dois elásticos, embala um anel. Ambos, embalagem e produto, têm o design assinado por By AMT Studio, Nova York, Estados Unidos.

Os anéis em sim são super interessantes. Feitos de prata, ouro acrílico, eles parecem feitos por extrusão de um perfil que é o esteriótipo do anel de diamante. Na verdade eles são cortados a laser e possuem espessuras diferentes. De acordo com a espessura do anel, a embalagem ganha ou perde algumas folhas de papel (que também é cortado a laser).

Com um anel diferente assim, a embalagem não poderia ser a tradicional caixinha de jóias. A natureza achatada da caixa se encaixa perfeitamente ao conceito do produto. Parece que não podia ser diferente, a caixa tinha de ser assim. Esta é a sensação que um design bem pertinente passa para os usuários.

Fonte: The Dieline

Vaso stand-up pouch

As embalagens chamadas “SUP”, abreviação do nome genérico Stand-Up Pouch, vieram e tomaram conta de gôndolas e prateleiras. Elas são envoltórios flexíveis que, por possuirem uma base sanfonada, conseguem se manter em pé (uma tradução literal do inglês seria: saco que fica de pé).

Hoje em dia, elas embalam quase qualquer coisa: molhos de tomates, castanhas de caju, sucos de frutas e mais uma gama enorme de produtos. Podem também se transformar em belíssimos vasos de flores.

É isso que Say It With Vases propõem com suas peças coloridas e estampas charmosas. O plástico vem fininho como uma folha de papel, mas basta enchê-lo com água que ele ganha forma e volume. Daí, é só colocar as flores e pronto! Um uso interessante para o stand-up pouch.

Fonte: Hummmm I see

Marca própria de alimentos saudáveis

Safeway é o terceira maior cadeia de varejo dos Estados Unidos, operando também no Canadá. E como não podeia deixar de ser, possui diversas linhas de produtos marcas próprias. Uma das mais interessantes é a Eating Right, que está ilustrada acima.

A proposta dessa marca é a saúde. Como o próprio nome diz, ela oferece produtos mais nutritivos a fim de que seus consumidores tenham uma alternativa mais saudável para levar para casa. O design das embalagens, cheio de tons verdes e brancos com fotografias claras, reafirma visualmente este conceito: tudo parece muito fresco e gostoso. Além disso, existe um sistema de pontos de cores em todas as embalagens que informa especificamente os atributos nutricionais de cada produto.

Levando o conceito um pouco mais longe, a empresa se uniu a Warner Brothers Looney Tunes e criou os produtos infantis chamados Eating Right Kids (fotografia ao lado).

Eles funcionam como um sub-linha de produtos que possui design atrativo para as crianças mas são saudáveis como os pais exigem (este é um exemplo do que se anda fazendo para estimular os pequenos a comerem alimentos mais nutritivos com marca própria).

Fonte: Unbound Edition e Shopper Culture

Coca azul, Pepsi verde

Já falamos sobre a Coca-Cola azul. Agora é a vez de falar da Pepsi verde, ou Pepsi Green. Ela foi lançada em janeiro deste ano na Tailândia (e só pode ser encontrada por lá) como parte do projeto Pepsi Colours, que já inclui a Pepsi Blue (imagem abaixo), a Pepsi White, a Pepsi Gold, entre outras cores.

A diferença da Pepsi verde é que não é apenas a embalagem que mudou de cor. O produto também mudou completamente. Ele deixou o preto de lado e se tornou um verde “água fluorescente”.

Não se sabe qual o sabor da nova bebida. Mesmo quem já bebeu diz não conseguir determinar o gosto. Alguns mencionam um leve sabor de Listerine – aquele enxaguatório bucal.

Com este produto voltado ao público “teen”, a empresa conseguiu um bom aumento nas vendas primeiro trimestre (3-5%). Ele foi lançado com base numa pesquisa que apontou que 93% dos jovens da Tailândia se preocupam com problemas ambientais. Não conseguimos, porém, identificar o que a bebida tem de “verde”, a não ser a cor.

Fonte: Marketing na Cozinha e Foodbev

Garrafa de vodka sem rótulo

A vodka sueca Absolut, seguindo sua tradição em embalagens sensacionais, está lançando agora em junho uma versão em série limitada chamada Absolut No Label. A garrafa não terá nenhum rótulo, apenas um adesivo removível com o nome e um pequeno triângulo com as cores do arco-íris.

O motivo para limpar totalmente a garrafa é uma campanha contra o preconceito contra as minorias sexuais (gays, transexuais, etc): “Em um mundo Absolut, não existem rótulos”. Uma garrafa sem rótulo e sem logotipo representa a idéia de que devemose ver através da casca dos esteriótipos: é o interior que realmente importa. Rótulos devem ser colocados em embalagens, não em pessoas.

Aproveitamos para indicar o blog Tudibão, fonte deste post, para visitas. Ele é muito bacana, está sempre atualizado e traz matérias especiais para estudantes de design, publicidade e propaganda. Vale uma visita.

Isto não é uma embalagem

Embora pareça bastante, a imagem acima não mostra 3 embalagens. Esses saquinhos de papel não embalam absolutamente nada. Eles estão vazios.

O papel em formato de saco na verdade tem como propósito ser um material para dobradura. A tira colorida de papel envolta do saco contém instruções passo a passo para animais de origami.

Um sapo, um macaco e um pássaro, esses 3 animais seriam “brinquedos sustentáveis” para crianças e o custo do saquinho seria revertido para o WWF para auxiliar na preservação de espécies de animais ameaçadas. O trabalho é da designer sueca Magdalena Czarnecki, que atualmente vive na Austrália.

Agora, fica a questão: se o papel já vem todo dobrado em formato de saco, o origami não ficará prejudicado, cheio de vincos? Já que não há nada para se embalar, não seria mais interessante promover o origami de outra maneira (uma que pelo menos não marcasse o papel)?

Fonte: Lovely Package